No dia 27 de fevereiro, às 10h30, o auditório da Escola E.B.2,3 Cego do Maio encheu-se de palavras que não vieram apenas passar — vieram ficar. No âmbito da 26.ª edição das Correntes d’Escritas, recebemos Luísa Lobão Moniz e, depois, José Alberto Postiga, numa manhã em que a literatura foi mais do que livros: foi encontro, foi voz, foi rasto. ✨
Primeiro chegou Luísa, como quem chega sem ruído e, ainda assim, muda o ar da sala: de mansinho, com uma história (ou muitas) já em promessa. Trouxe-nos o gesto de inventar, sonhar e escrever — e, enquanto falava, parecia que a escola acordava por dentro. Os alunos perguntaram aquilo que importa perguntar: sobre o que é ser diferente, sobre muros que se levantam, sobre o coração de quem procura lugar. E quando o fim tentou aproximar-se, ficou a frase que guiou tudo, como pedido e como lema: “Conta lá outra vez… pois as palavras voam, mas os cravos ficam.” 🌹
Depois foi a vez de José Alberto Postiga — e a notícia, com ele, pode escrever-se seguindo o fio dos seus versos, porque os versos dele são caminho. “Nasci onde o sal aprende o nome dos homens” — e de repente compreendemos que há escrita que vem do chão, do mar, do trabalho. “Aprendi cedo o peso das mãos” — e cada palavra ganhou verdade. “Cresci entre redes, silêncio e marés” — e o auditório escutou esse silêncio como quem escuta uma onda. “Escrevo para não perder o caminho” — e muitos reconheceram que a palavra também pode ser bússola. “Levei comigo apenas o que era possível salvar” — e ficou a lição do essencial. “Voltei para aprender o nome das coisas” — e a escola também voltou, mais atenta, mais desperta. Até que a promessa ficou inteira no ar: “Renascer num verso que inicie um novo tempo.” 🧭🌊
No final, houve sorrisos e partilhas: fotografias, conversas rápidas mas luminosas — e a certeza de que a manhã acabou no relógio, mas não acabou em nós. Porque, naquele dia, aprendemos isto de forma simples e verdadeira: “as palavras voam” e é a poesia — “o barro que [nos] honra as mãos todos os dias” — que transforma em rasto e em cravo. 💙📖














































